O Modernismo estava, assim como a Tropicália, em busca de uma identidade cultural própria, incorporando e valorizando elementos culturais nacionais em sua predominância, sem, no entanto, abrir mão de valores estéticos estrangeiros. E ambos os movimentos representavam e questionavam situações sociais e políticas da época, de maneira até certo ponto irreverente, principalmente a Tropicália, apesar de a conjuntura política brasileira em 1967, em função do Regime Militar, ser mais tensa.
Entretanto dado o caráter repressivo do período, a intelectualidade da época (e principalmente determinadas fatias da juventude universitária ligadas ao movimento estudantil) tendiam a rejeitar a proposta tropicalista, considerando seus representantes alienados. Apenas décadas mais tarde, quando o movimento tropicalista já havia se esvaziado, ele passou a ser efetivamente compreendido e deixou de ser tão menosprezado.
Semana de Arte Moderna - na minissérie Um Só Coração.
Melô do Modernismo
(Profº Fabio de Moraes)
O que importa é que, tanto o Modernismo como a Tropicália nos deixaram um legado cultural importantíssimo para o nosso país, além de servir como um instrumento de compreensão de suas épocas. Vale a pena pesquisar sobre estes dois movimentos.
Entre 1967 e 1968 os músicos Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, o produtor musical Rogério Duprat, o maestro Júlio Medaglia, os escritores José Agrippino de Paula e Torquato Neto, o teatrólogo José Celso Martinez Corrêa e os artistas plásticos como Lygia Clark eHélio Oiticica, entre outros, fizeram parte de um projeto criativo que resultou no disco-manifesto "Tropicália ou Panis et Circensis". A característica principal deste grupo era a miscelânea de ideias e estéticas que uniam temas urbanos e modernos aos folclóricos e populares. Na música, a guitarra elétrica e outros equipamentos elétricos apareciam ao lado de instrumentos tradicionais da música brasileira. Toda essa miscelânea resultou num momento cultural único, que ficou marcado pela explosão de ideias e também pela efemeridade. O Ato Institucional número 5, em dezembro de 1968, marcou o endurecimento da Ditadura Militar que resultou no fim da tolerância do regime em relação aos seus críticos e no exílio de milhares de intelectuais e artistas (entre eles, Caetano Veloso e Gilberto Gil).
Hélio Oiticica (1937-1980)
Hélio Oiticica, além de realizar as sua obras, também teorizava sobre elas em textos mimeografados que divulgava.
Hélio Oiticica conta que quando inventou o conceito de Tropicália (1966-67) não imaginava a repercussão que teria, embora objetivasse o que afinal aconteceu: a redefinição do panorama cultural e a interrelação das manifestações artísticas (teatro, música, cinema, artes plásticas).
Parangolés e Penetráveis
Instalação ou Penetrável Tropicália que deu nome ao movimento cultural.
O Tropicalismo foi um movimento artístico do final da década de 1960 que buscou reinventar as artes brasileiras, sobretudo a música, e romper com as tendências nacionalistas defendidas por setores de esquerda que queriam afastar a arte brasileira da influência norte-americana. Quem defendia o Tropicalismo achava impossível conciliar a evolução musical e cultural do país, e consequentemente, o progresso e o projeto de independência nacional, sem levar em conta a inserção nos acontecimentos do período, como a revolução sexual e a Guerra Fria. O movimento se apoiou em teses modernistas como o Antropofagismo, que acreditava ser possível absorver e reaproveitar de maneira benéfica os conteúdos dos produtos culturais estrangeiros.
Capa do disco Tropicália ou Panis et Circencis, 1968.
E em 1968, no Brasil, saiu o disco “Tropicália ou Panis et Circensis”. A imagem da capa, registrada pelo fotógrafo Oliver Perroy, tem como inspiração as fotos antigas de família. Mas é impossível não lembrar também de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, ainda mais sabendo que ali eram todos fãs dos Beatles.
Capa disco “Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band”, 1967.
“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” é um marco na história do pop. Lançado em 1967, pelos Beatles, ele trouxe inovações técnicas e estéticas que redefiniram a música popular. O uso de sons do cotidiano misturado com orquestras, distorções, gravações tocadas de trás para frente, o uso de instrumentos exóticos.
A partir do início dos anos 60, Oiticica começou a definir qual seria o seu papel nas artes plásticas brasileiras e a conceituar uma nova forma de trabalhar, fazendo uso de maneiras que rompiam com a ideia de contemplação estática da tela. Surgiu aí uma proposta da apreciação sensorial mais ampla da obra, através do tato, do olfato, da audição e do paladar. Exemplo disso é o penetrável PN1 e a maquete do Projeto Cães de Caça, composto de cinco penetráveis (1961) e os bólides, que são as estruturas manuseáveis, chamados de B1 Bólide caixa 1 (1963).
Visão aérea do penetrável Tropicália de Hélio Oiticica.
A instalação Tropicália (1967) é um jardim com pássaros vivos entre plantas, lado a lado com poemas-objetos. O artista tem entre suas obras mais importantes a "Tropicália", que inspirou e deu nome ao movimento cultural brasileiro que revolucionou a música, o cinema, o design, a moda e as artes do país nos anos 60 e 70. A obra faz parte da coleção permanente da galeria Tate Modern, de Londres, que adquiriu o trabalho em 2007.
Helio Oiticica diz que Tropicália foi inicialmente criada a partir de suas experiências para relacioná-las a um contexto particular de vanguarda brasileira, distinto do modelo internacional. Localiza o desenvolvimento de Tropicália na seqüência da dissolução dos grupos Concretos e Neoconcretos.
Saiba mais sobre a exposição "Hélio Oiticia - Museu é o Mundo", no Itaú Cultural em 2010
(…) Nara Leão, cujas conversas conosco revelavam sua total independência em relação aos preconceitos anti-Tropicália exibidos por seus ex-companheiros de bossa-protesto e pela plateia de "Pra Ver a Banda Passar" (programa que ela comandava ao lado de Chico Buarque na TV Record), encomendou-nos, a mim (Caetano Veloso) e a Gil, uma música que tivesse como tema ou inspiração um quadro do pintor Rubens Gerchman chamado Lindonéia, o qual representava, em traços distorcidos com dolorosa pureza, o que parecia ser a ampliação de um retrato três por quatro de uma moça pobre que dizia o texto título fora dada por perdida, emoldurada, à maneira kitsch dos retratos de sala de visitas suburbanas, por vidro espelhado com decoração floral. Gil fez a música um bolero entrecortado de iê‑iê‑iê ‑ e eu fiz a letra da canção, que manteve o nome “Lindonéia” e a história da suburbana desaparecida. O quadro de Gerchman, por ser uma espécie de crônica melancólica da solidão anônima feita em tom pop e metalinguístico tinha parentesco direto com o tropicalismo musical, e a canção, nós supúnhamos, realimentaria sua carga poética.
Extraído do livro "Verdade Tropical" de Caetano Veloso
Ainda que tenha durado pouco, a Tropicália levou a cultura brasileira a aceitar sua inserção no mundo contemporâneo. A irreverência, a contestação, o experimentalismo, o colorido tropical, a busca das raízes da cultura brasileira, sempre aliados a uma ideia de "modernização", de dissolução das dicotomias entre cultura tradicional e cultura pop, refinamento e popularização, tradição e vanguarda, solidificaram o movimento. O questionamento dos costumes, da moral, do comportamento da juventude, numa sociedade brasileira ainda marcada pela tradição, realizou-se assimilando aspectos da contracultura, da arte pop, do feminismo e da rebeldia da juventude mundial.
Poesia concreta de Augusto de Campos
O poema concreto "Pulsar" de Augusto de Campos musicado por Caetano Veloso.
O movimento tropicalista brasileiro é um daqueles temas que nunca esgotam, já repararam? Como uma fonte infinita de inspiração e significados, ele retorna em discussões, estudos, repaginações culturais, releituras artísticas. Essa intensa movimentação cultural inspira o mundo todo até hoje com seu ideário de vanguarda, de borrar fronteiras, de integrar alta cultura com cultura popular, de conciliar tradição e modernidade até encontrar algo totalmente inovador.
...E COMO FICOU
Onde você encontra a influência deles
Em bandas...
que também mesclaram tradições nacionais e inovações estrangeiras, como
Pintora, gravadora, ilustradora, professora. Formada em comunicação social pela Faculdade Hélio Alonso, no Rio de Janeiro em 1981, inicia-se em artes plásticas ao ingressar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1980, onde mais tarde leciona e coordena atividades culturais.
Em seu percurso, Beatriz Milhazes criou um padrão próprio, cercado de motivos ornamentais, mandalas, arabescos, flores e psicodelia (psiké (ψυχή - alma) e delos (δήλος - manifestação). Há alguns anos a artista passou a conjugar estas formas orgânicas com formas geométricas – listras que passeiam entre os fundos e os primeiros planos de suas composições, quadrados que delimitam planos, círculos que estabelecem ou deslocam o centro.
Já a cor tem um papel estrutural na obra da artista, que lança mão de heterogêneas referências cromáticas como, por exemplo, o Carnaval, o movimento Tropicalistae a obra de Henri Matisse.
FONTES DE PESQUISA adaptação dos textos de: André Luis Rosa e SilvaProfessor de Literatura e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). MARCELLO TEIXEIRA ALBERTINI Historiador e Professor de História formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
obrigado pela utilização de meu trabalho e pela citação da fonte! um abraço, andré.
ResponderExcluirobrigado pela utilização de meu trabalho e pela citação da fonte.
ResponderExcluirum abraço, andré